Seu Alu…

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Morreu essa semana, em São Luís, aos 71 anos de idade, Aluísio Ferreira de Oliveira, o Seu Alu, como era bastante conhecido pelos amigos. Seu Alu era desses homens que não nascem mais em qualquer canto por aí, que não se encontra em qualquer esquina. Era único.

Nasceu ali no povoado Caraíbas, de Colinas, às margem da hoje BR 135. Filho de Seu Miguel Vaqueiro, de família numerosa, de muitos irmãos.

O conheci por acaso, na década de noventa, quanto tomei um táxi ali nas imediações do bairro João Paulo com destino ao Bequimão, onde morava. Comunicativo, começou a conversar comigo sobre coisas simples, triviais, sobre a vida, trabalho, sobre São Luís, Maranhão, Brasil… E do nada eis que descobrimos que éramos da mesma região, da mesma cidade.

Quando disse que era de Colinas ele foi a alegria em pessoa. E quando falei que era de Taboca da Onça, pronto, ele começou a rir de felicidade por está conduzindo um conterrâneo. Perguntou de quem eu era filho e falei. Aí ele: “rapaz, conheço demais o teu pai, a tua mãe, a irmã da tua mãe que mora no Jatobá…” E aí se identificou, disse que se chamava Aluísio, que era filho de Miguel Vaqueiro, irmão de Luís, de Teodoro… Uma viagem que duraria pouco mais de 10 minutos quase que passou das duas horas de conversa. Rodamos São Luís inteira trocando figurinhas. E ficamos amigos desde então.

Porque Seu Alu era assim mesmo: comunicativo, intenso, do tipo que você conhecia e de cara se apaixonava, virava amigo de uma vida.

Cedo se casou, teve o primeiro filho e junto com a esposa saiu de Jatobá em busca e um futuro melhor para sua família. Quis mudar o rumo da própria vida. O destino? Marília, interior de São Paulo onde morou e trabalhou por alguns anos.

Com a doença do pai, Seu Alu decide voltar de São Paulo e de novo fincar raízes na sua querida terra, Jatobá, que ele tanto amava. Depois de alguns anos, tendo o pai se recuperado, decide novamente sair de Jatobá e tentar uma vida melhor para ele e sua família.

Escolhida como destino, foi em São Luís que Seu Alu se estabeleceu de vez, trabalhou, progrediu e criou os quatro filhos com muita sabedoria, dignidade, honradez… Em São Luís fez de tudo: foi vendedor e gerente de lojas de departamento e depois taxista, por mais de quinze longos anos, até se aposentar.

E quando se aposentou, há pouco mais de quatro anos, não pensou duas vezes e regressou à sua terra. Lá, na sua Jatobá, inquieto como era, justo como era, começou a participar ativamente da vida política da cidade. Queria ajudar a mudar os rumos da sua terra, da sua gente, ajudar a tirar a cidade do marasmo em que se encontrava, da inércia em que se encontrava. Ajudar a construir um futuro melhor para todos. E tinha muitas ideias, muitos projetos (todos coletivos) e embarcou em muitos deles, sempre pensando no bem de seus conterrâneos.

O desejo não realizado de Seu Alu era ver Jatobá em outras mãos, nas mãos de outras pessoas que tivessem outras ideias, que comungassem dos mesmos ideais coletivos que ele, que tivessem outros projetos, outros sonhos… Que tivessem como ideal principal a transformação para melhor da vida das pessoas.

Ele dizia: “não posso morrer sem ver minha cidade mudar, sem vê-la nas mãos de outras pessoas, de outro grupo político. Não posso morrer sem ver as coisas aqui acontecerem”.

Mais uma vítima da Covid, Seu Alu se foi, mas os ensinamentos que deu, as lições de honestidade que dava diariamente, a incrível capacidade de pensar mais no próximo do que em si mesmo, tudo isso ficará aqui para sempre.

Descanse em paz, Seu Alu.

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