Quaest/Mirante: qual o peso da Grande Ilha e do interior do Maranhão no resultado final da pesquisa?

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A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (24), contratada pela TV Mirante, colocou Eduardo Braide na liderança da corrida pelo Governo do Maranhão com 44% das intenções de voto contra 25% de Orleans Brandão. Felipe Camarão aparece com 6% e Roberto Rocha com 3%. O levantamento ouviu 900 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Os números, porém, podem levantar questionamentos, principalmente entre apoiadores de Orleans. Não necessariamente porque a pesquisa esteja errada, mas porque um ponto importante da metodologia precisa ser conhecido para que se possa compreender de onde saiu o resultado estadual: quantos entrevistados foram ouvidos na Grande Ilha e quantos foram entrevistados no interior, e como esses grupos foram ponderados no cálculo final? Essa informação é fundamental em uma eleição estadual como a do Maranhão, marcada por diferenças muito grandes de comportamento eleitoral entre São Luís e os municípios do interior.

Braide possui uma força eleitoral particularmente elevada em São Luís, onde foi prefeito e deixou o cargo com altos índices de aprovação. Portanto, se uma parcela significativa das 900 entrevistas estiver concentrada na Grande Ilha, o desempenho do candidato pode naturalmente puxar o resultado estadual para cima. O raciocínio inverso também é válido: se a amostra tivesse uma concentração muito maior em municípios onde Orleans Brandão possui maior força política, o resultado poderia apresentar uma configuração diferente. O ponto central, portanto, não é afirmar que houve manipulação, mas questionar qual foi exatamente o peso dado a cada região do Estado na composição da amostra.

Orleans, por sua vez, construiu uma estrutura política especialmente forte no interior. Em municípios como Imperatriz, Balsas, Bacabal, Barreirinhas e diversas cidades menores, o grupo governista possui bases políticas consolidadas e, segundo lideranças locais, Orleans pode alcançar índices muito superiores aos registrados na média estadual. Em municípios pequenos, onde o grupo político do governador Carlos Brandão possui forte presença, a diferença pode ser ainda mais expressiva. Por isso, conhecer a distribuição geográfica das 900 entrevistas é essencial para interpretar corretamente os 25% atribuídos ao candidato.

Outro ponto que merece esclarecimento é a percepção sobre o tamanho da amostra. 900 entrevistados não significa que a pesquisa seja necessariamente fraca por ter ouvido poucas pessoas. Em pesquisas eleitorais, uma amostra de 900 pessoas pode representar estatisticamente um universo muito maior, desde que seja corretamente selecionada e ponderada. A própria Quaest trabalha com amostras desse tamanho em outros estados. O que precisa ser analisado, portanto, não é simplesmente a quantidade absoluta de entrevistados, mas como esses 900 eleitores foram escolhidos e distribuídos pelo Maranhão.

Há ainda um elemento que merece atenção. A Justiça Eleitoral chegou a suspender inicialmente a divulgação da pesquisa MA-02558/2026 após questionamentos apresentados pelo PRTB e por Roberto Rocha. Entre os pontos levantados estavam os cenários de segundo turno, que contemplavam apenas Braide, Orleans e Camarão, apesar de o primeiro turno apresentar oito candidatos. A liminar acabou sendo parcialmente reconsiderada, permitindo a divulgação dos demais resultados, mas mantendo restritos os cenários de segundo turno.

Também foi levantada na Justiça Eleitoral a possibilidade de “efeito de ancoragem”, relacionado à ordem das perguntas do questionário e à existência de questões sobre avaliação dos governos antes de determinados blocos eleitorais. O próprio juiz considerou que esse ponto demandaria uma análise mais aprofundada, não sendo suficiente, naquele momento, para impedir a divulgação dos resultados do primeiro turno. Portanto, trata-se de uma questão ainda em discussão, e não de uma conclusão de que a pesquisa tenha sido contaminada.

Diante disso, os números da Quaest devem ser encarados como um retrato do eleitorado no período em que as entrevistas foram realizadas, e não necessariamente como uma fotografia definitiva da eleição. Braide aparece, sim, em posição bastante confortável, com 19 pontos de vantagem sobre Orleans. Mas, para avaliar o tamanho real dessa vantagem, seria importante conhecer a distribuição das entrevistas por regiões, municípios ou estratos do eleitorado e verificar os critérios de ponderação utilizados pela Quaest.

A pergunta que fica, portanto, não é se Braide pode estar na frente — os números apresentados pela Quaest indicam claramente que está —, mas quanto da vantagem de 44% decorre de sua força efetiva em todo o Maranhão e quanto é resultado da composição geográfica da amostra. Sem conhecer detalhadamente como os 900 entrevistados foram distribuídos entre São Luís, Grande Ilha e interior, qualquer análise política mais profunda sobre os 19 pontos de diferença entre Braide e Orleans corre o risco de ser incompleta.

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