
Braide é filho de políticos, de família toda política, coronéis ali das bandas de Santa Luzia. Antonio Braide, ex-prefeito, e Janice Braide, ex-deptuada estadual, são seus tios. O pai, Carlos Braide, foi deputado com mandatos de perder a conta, chegando inclusive a ser presidente da Assembleia Legislativa. Foi nesse ambiente político que Braide nasceu, cresceu e foi criado junto ao irmão político e deputado estadual Fernando Braide.
No governo Zé Reinaldo (2002/2005) presidiu a CAEMA, a companhia de águas do Maranhão, não por méritos ou por ser competente, mas sim por ser filho de político. Entrou na cota destinada ao pai deputado estadual em troca de apoio na ALEMA ao governo Zé Reinaldo. E lá fez estrago.
Em 2006 Braide tentou ser deputado federal em dobradinha com o pai Carlos Braide, que buscava (e conseguiu) a sexta ou sétima reeleição. Não foi eleito deputado federal em 2006, mas em 2009 ganha de presente do novo prefeito da Capital, João Castelo, uma sinecura na prefeitura.
Em 2010 herda os currais eleitorais do pai e se elege deputado estadual, se reelegendo em 2014. Foi líder do governo Flávio Dino na Assembleia Legislativa e fez política, muita política. Se reunia com colegas deputados, fazia reuniões, acordos, o diabo.
Em 2016 Braide decide que é hora de buscar algo maior e mira a Prefeitura de São Luís, lançando-se candidato e chegando a ir para o segundo turno com o então prefeito Edivaldo Holanda, que se reelegeu.
Oportunista, no segundo turno de 2016 Braide decide negar tudo que ele sempre foi: político. Não faz alianças com ninguém, não recebe ninguém e vai pro embate com Edivaldo sozinho. Na TV no horário político se vende para o eleitor como outsider, o fora da política tradicional, o diferentão. Perde, mas fica com essa fama de político diferente, mesmo não sendo, e se elege prefeito da capital em 2020 e 2024 se vendendo como alguém que ele nunca foi.
Agora corta para 2026.
O personagem que Braide criou em 2016 que fez dele deputado federal bem votado em 2018 e prefeito eleito e reeleito em 2020 e 2024, respectivamente, volta agora com tudo e percorre todo o Maranhão tentando se vender como o político que não faz política, o diferente dos iguais.
Braide quer ser governador para governar sozinho, sem Assembleia, sem prefeitos, sem vereadores, sem imprensa, sem ninguém. Os gestos humilhantes de Felipe Camarão, Duarte Júnior e agora Lahésio Bonfim a ele mostram bem isso. Os três já deram sinais claros de apoio ao ex-prefeito, mas Braide cagou e andou pra todos eles. Assim como caga e anda para os demais políticos.
Como bem diz um jornalista amigo meu que cobre a cena política local, se Braide com todo esse ódio da política, dos políticos e da imprensa for eleito governador do Estado em outubro, não nos resta alternativa a não ser esquecermos tudo o que aprendemos sobre política ao longo da vida.