
Quem assistiu ao debate da TV Mirante na noite de ontem (29),esperando rever aquele Eduardo Braide altivo e afiado de 2016, que atropelou adversários e arrancou firme para o segundo turno contra Edivaldo Holanda Jr., se decepcionou. No lugar daquele, veio um Braide amarelo, sem reflexo e visivelmente nervoso.
E já no primeiro bloco virou presa fácil até para o obtuso André Luís, do Missão. Braide perdeu o rumo no embate direto com Orleans Brandão, apanhou feio até de seu laranja Felipe Camarão, tropeçou na própria língua e se perdeu próprio tempo. Em algumas ocasiões foi cortado pelo mediador por ultrapassar o cronômetro.
Logo depois do debate a pergunta que ecoou nos grupos de WhatsApp durante toda a madrugada foi uma só: o que teria acontecido com Braide? Qual a razão dessa letargia toda?
O Blog do Badeco foi atrás e descobriu a resposta nos corredores mais trancados do núcleo duro da campanha. O mistério da apatia não foi cansaço. Foi pânico mesmo.
Poucos minutos antes de os refletores do estúdio da Mirante se acenderem, chegou aos ouvidos de Braide o resultado de um levantamento para consumo interno encomendado por seu próprio QG. E os números cairam como uma bomba na cabeça do candidato: Orleans Brandão não apenas virou o jogo, como estaria na iminência de matar a disputa já no 1º turno. Segundo informações, o emedebista estaria algo em torno de 0,5 ponto percentual acima da linha de 50% dos votos válidos. Ou seja: Braide descobriu minutos do debate que Orleans tem chances reais de levar a fatura já nesse domingo.
O choque foi tão grande que derreteu qualquer capacidade de reação de Braide. E aí o nervosismo virou paralisia e a tensão virou gagueira. Enquanto Orleans Brandão, subestimado do começo ao fim por uma arrogância estratégica do próprio ex-prefeito era certeiro nas perguntas e respostas, defendendo com firmeza o governo do qual fez parte e apresentando propostas concretas para o estado, Braide agonizava no púlpito sem saber administrar nem o próprio tempo que insistia em estourar.
A verdade é que o desespero bateu forte. Com o favoritismo de Orleans consolidado num momento decisivo, os bastidores da campanha de Braide viraram um velório antecipado na redes sociais madrugada a dentro. E Braide deve ter ido dormir de orelhas quentes e se perguntando se ainda daria tempo de juntar os cacos para evitar o vexame de uma derrota frangorosa já no primeiro turno.